Três grupos de tratamentos dentários exigem anestesia geral
A odontologia evoluiu muito nos últimos anos. Um reflexo disso foi a grande mudança filosófica que houve na prática comum de tirar dentes e instalar dentaduras para a prevenção e a devolução de uma dentição funcionalmente ativa e segura, mesmo artificialmente. A maioria dos procedimentos na área da odontologia é feita na cadeira do dentista, sem a necessidade de anestesia ou sob anestesia local, com segurança e conforto ao paciente. Porém, “alguns procedimentos são mais complexos e exigem tratamentos no ambiente hospitalar sob anestesia geral”, esclarece o especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial e mestre em lasers em odontologia, Silvio Mauro Gallon, da Clínica Arte e Face de Chapecó.
Gallon explica que a evolução nos tratamentos é amparada em grande parte pela medicina. Os medicamentos e as drogas anestésicas evoluíram, as visões mais apuradas das especialidades médicas passaram a enxergar a necessidade e a importância da avaliação de um cirurgião-dentista para a eficiência no tratamento. Paralelamente, os avanços tecnológicos, com a criação de equipamentos mais precisos e delicados, o diagnóstico por imagens, a possibilidade de controlar melhor os sinais vitais do paciente também contribuíram para a segurança dos procedimentos realizados, tornado-os menos agressivos e toleráveis pelo paciente.
GRUPOS DE TRATAMENTOS Gallon observa que três grupos exigem tratamentos delicados, necessitando de anestesia geral. O primeiro deles inclui os pacientes, cujo porte do procedimento é muito grande para ser feito sob anestesia local e precisam ser realizados no ambiente hospitalar, onde o paciente será atendido com mais eficiência, numa estrutura adequada. Entre eles, estão os casos de fraturas da face, cirurgias corretivas das deformidades de face, grandes lesões da boca e da face, como tumores e cistos, e as grandes reconstruções maxilofaciais, como enxertos ósseos totais dos maxilares.
No segundo grupo estão os procedimentos possíveis de serem executados pelo dentista no consultório, porém, o paciente não se mostra capaz de tolerá-los ou aceitá-los. São geralmente crianças, pessoas com deficiência e pessoas que têm fobia de dentista, que utilizam desse recurso para não vivenciarem a experiência do procedimento.
Em um terceiro grupo encontram-se as pessoas que toleram os procedimentos executáveis em consultório do ponto de vista psico-físico, mas sua saúde é muito frágil. Nestes casos, o ambiente hospitalar, com o auxílio do médico anestesista, passa a ser um critério absoluto de segurança à saúde geral do paciente.
De acordo com Gallon, a anestesia geral, como qualquer procedimento de saúde, tem seus riscos, mas é possível calculá-los com segurança e diminuí-los ao máximo. Para que o procedimento seja ainda mais seguro, são necessários avaliação prévia e exames complementares.
A prática moderna é mais adequada ao paciente, pois permite administrar as drogas necessárias e oferece monitorização em tempo real, possibilitando ao médico anestesista o controle de vários parâmetros do paciente ao mesmo tempo, como pressão arterial, batimentos cardíacos, aproveitamento do oxigênio, entre outros. “O dentista pode se concentrar no trabalho a ser executado, aumentando a tranquilidade e a segurança no procedimento”, avalia.
Certos processos nem requerem internação. O paciente fica no hospital apenas o tempo suficiente para recobrar a atenção normal e sentir-se bem. Quando necessário, pode permanecer internado até que esteja apto a receber alta hospitalar.
“A anestesia geral é uma importante especialidade médica que contribui muito com a odontologia, pois sem este processo muitos casos não poderiam ser tratados”, finaliza.
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