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Postado em 27 de Julho de 2015 às 17h06

Bactérias da placa dental podem provocar coágulos sanguíneos

Arte e Face Essa descoberta é da mais alta gravidade, pois atinge pessoas de todas as idades: bactérias bucais que entram na corrente sanguínea são capazes de causar coágulos sanguíneos e iniciar uma...

Essa descoberta é da mais alta gravidade, pois atinge pessoas de todas as idades: bactérias bucais que entram na corrente sanguínea são capazes de causar coágulos sanguíneos e iniciar uma infecção do revestimento interno do coração. A conclusão é de pesquisadores do Colégio Real de Cirurgiões da Irlanda e da Universidade de Bristol. Essa infecção, conhecida como endocardite, pode danificar ou destruir válvulas cardíacas e levar a complicações ameaçadoras à vida. A condição ocorre quando bactérias ou germes de outra parte do corpo – da boca, por exemplo – se disseminam pela corrente sanguínea e se fixam em áreas danificadas do coração.

Esse achado científico torna ainda mais válida a importância da escovação e do uso de fio dental para manter as bactérias sob controle, realça a especialista em implantes e próteses dentárias, Iara Giovana Gallon, da Clínica Arte & Face de Chapecó.

O Streptococcus gordonii é um habitante normal da boca e contribui com a placa que se forma na superfície dos dentes. Porém, se as bactérias entrarem na corrente sanguínea através de gengivas que sangram, elas poderão iniciar uma destruição ao se disfarçarem de proteínas humanas.

Os pesquisadores descobriram que o S. gordonii é capaz de produzir uma molécula em sua superfície que lhe permite imitar a proteína humana fibrinogênio – um fator da coagulação. Isso ativa as plaquetas, fazendo-as se agregarem dentro dos vasos sanguíneos. Os coágulos indesejados envolvem as bactérias, protegendo-as do sistema imunológico e dos antibióticos que podem ser usados para tratar infecções. A agregação de plaquetas pode levar a crescimentos nas válvulas cardíacas (endocardite) ou inflamação dos vasos que podem bloquear o suprimento sanguíneo para o coração ou cérebro.

Iara Gallon observa que agora surge uma esperança para novos tratamentos para a endocardite infecciosa a partir do melhor entendimento da relação entre bactérias e plaquetas. A endocardite infecciosa é tratada com cirurgia ou fortes antibióticos, o que tem se tornado mais difícil, em razão da crescente resistência aos antibióticos. Cerca de 30% das pessoas com endocardite infecciosa morrem e a maioria necessita de cirurgia para substituição da válvula cardíaca infectada por uma válvula de metal ou de procedência animal.

No desenvolvimento da endocardite infecciosa, um passo crucial é a adesão da bactéria na válvula do coração e a ativação das plaquetas para formação de um coágulo. Por isso, os cientistas estudam agora o mecanismo por trás dessa sequência de eventos, na esperança de desenvolver novas drogas necessárias para evitar os coágulos sanguíneos e também a endocardite infecciosa.

A equipe de pesquisadores identificou os componentes críticos da molécula do S. gordonii que imita o fibrinogênio, de forma que está mais próxima de desenvolver novos compostos para inibir esse fato.

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