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Postado em 27 de Julho de 2015 às 16h57

Dentes do siso: por que retirá-los?

Os terceiros molares, mais conhecidos como dentes do siso, surgem na boca por volta dos 18 anos, idade em que normalmente os jovens estão começando a se organizar na vida. Por isso, popularmente são chamados também de dentes do juízo. Por serem os últimos a se apresentarem na arcada dentária, normalmente não encontram espaço suficiente para permanecerem sem causar problemas e, em muitos casos, são removidos. A explicação é do especialista em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial e mestre em lasers em odontologia, Silvio Mauro Gallon, da Clínica Arte e Face de Chapecó.

Gallon observa que antigamente os seres humanos tinham mais dentes na boca, pois a necessidade de utilizá-los era muito maior. Tarefas como comer carne fibrosa sem o auxílio de utensílios de cozinha, mastigar alimentos mais sólidos, menos processados, tudo isso fazia com que os dentes fossem exigidos com maior vigor e os ossos de suporte se desenvolvessem mais. “Hoje, a dieta é tênue e os alimentos apresentam-se mais processados. Dessa maneira, o desenvolvimento ósseo dos maxilares através das gerações foi se adaptando e reduzindo seu tamanho. Perdemos aquela face mais “animalesca” com os maxilares pronunciados e, por consequência, houve um encurtamento dos ossos maxilares”, assinala.

Com ossos mais curtos, há menos espaços para os dentes, de forma que os sisos, por serem os últimos, frequentemente se encontram espremidos no fundo da arcada. Nessa posição, não conseguem chegar por completo até a cavidade bucal, ficando então dentro do osso, chamados de inclusos, ou abaixo da gengiva, conhecidos como submucosos.

PROBLEMAS

Gallon esclarece que os dentes inclusos podem levar a formação de cistos ósseos e favorecer fraturas dos ossos da face. Se em contato com a raiz de outro dente, podem levá-lo à sua condenação e necessidade de retirada, por criar uma área de perda de mineral na raiz, chamada de reabsorção.
Quando submucosos, os dentes criam uma porta de contaminação óssea, pois geram um canal desprotegido entre o meio bucal, com saliva, restos de alimentos e microorganismos e o tecido gengival mais interno. Doença como a Pericoronarite é a mais comum nesses casos. Trata-se de uma infecção que pode variar de gravidade leve a severa e até mesmo requerer tratamento com internação hospitalar.
“Deixar os sisos no local, sem que eles possam assumir a função na boca e serem higienizados corretamente, é sem dúvida um risco que não deve ser corrido, salvo em casos onde seu posicionamento é tão desfavorável, que a agressão de retirá-lo seria muito grande. Nesse caso, ele deve ser acompanhado com avaliações e radiografias periódicas”, acrescenta o profissional.

REMOÇÃO

Os sisos podem se apresentar com diversos graus de inclusão: girados, atravessados na arcada ou localizados próximos a estruturas nobres, como nervos e cavidades anatômicas. “Sua remoção requer conhecimento, técnica e equipamentos específicos, para poder ser executada com precisão e menor risco, evitando possíveis complicações”, avalia Gallon.
O processo de remoção é cirúrgico e requer suporte com medicamentos e reavaliações pós-operatórias para monitorar a ocorrência de possíveis infecções. Nesse período, o paciente deve ser orientado a cuidar atentamente da higiene e seguir algumas restrições alimentares.
Outro cuidado é com relação ao surgimento dos sisos, pois alguns deles somente são descobertos através de exames radiográficos. A orientação aos jovens de 18 anos ou mais, que não apresentem sisos visíveis na boca, é que façam uma radiografia para analisar a formação desses dentes e sua posição. “Alguns adolescentes já não apresentam todos os sisos, pois, conforme evoluímos, não precisamos mais deles. As teorias antropológicas defendem que é fato o desaparecimento gradativo desses dentes nas próximas gerações”, finaliza Gallon.

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